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Resposta corporativa à mudança climática

4 de dezembro de 2015

Mobilização do setor privado em torno da COP 21 evidencia uma mudança na narrativa dos negócios sobre clima de uma visão de custos para a de oportunidades e construção de vantagem competitiva

Por Juliana Lopes*

Qualquer que seja o resultado ao final das negociações em Paris – e esperamos que seja um acordo global ambicioso o bastante para manter o aumento da temperatura dentro do limite seguro de 2ºC – esta COP, a 21ª Conferência das Partes, consolida um movimento crescente do setor privado que tem tomado uma ação positiva diante da mudança climática.

Exemplos nesse sentido incluem a Iniciativa Empresarial em Clima, formada por organizações que atuam nas questões de mudanças climáticas – CDP, Cebds, Fórum Clima (Ethos), Empresas pelo Clima (FGV), Envolverde e Pacto Global – com o objetivo de alinhar esforços para fortalecer o posicionamento do setor empresarial junto ao governo e nas negociações internacionais.

Essa mobilização do setor privado deu respaldo para o anúncio da contribuição nacionalmente determinada (do inglês Intended Nationally Determined Contributions – INDC) pelo governo Brasileiro no final de setembro à Convenção-Quadro sobre Mudança Climática das Nações Unidas como subsídio para as negociações. O Brasil foi o único país em desenvolvimento que apresentou uma meta absoluta de redução de emissões que se estende a toda a economia, isso significa que esse compromisso não se limita à mudança no uso da terra, causada pelo desmatamento.

Imperativo para fazer negócios

A integração da mudança climática na agenda corporativa vem evoluindo desde 2010, ano posterior a COP 15, em Copenhague, onde se esperava definir as bases para o acordo substituto ao Protocolo de Quioto, discussão que se postergou para 2015 na COP 21, em Paris.

A publicação “CDP Global Climate Change Report 2015” traz uma análise da resposta corporativa à mudança climática em âmbito global entre 2010 e 2015. O relatório mostra que o número de empresas que responderam ao pedido de informação sobre mudança climática, enviado pelo CDP em nome de 822 investidores institucionais globais, cresceu de 1799, em 2010, para 1997, em 2015, alcançando 55% da capitalização de mercado global.

Também se nota evolução em uma série de indicadores, como um incremento de 60% no número de empresas que oferecem incentivos para gestão da mudança climática, que saltou de menos da metade das respondentes em 2010 para 75% em 2015 e o dobro de empresas com metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Essa evolução também é observada no Brasil, onde o número de empresas que oferecem incentivos para gestão da mudança climática saltou de 30% em 2010 para 69% em 2015. Também chama atenção o crescimento em relação ao percentual de empresas com metas de redução de emissões de 9%, em 2010, para 31% em 2015.

Cada vez mais empresas percebem que a proteção do clima simplesmente faz sentido do ponto de vista de negócios, confira a seguir alguns exemplos.

Braskem

Espera ter benefícios com a redução de custos de produção a partir da implementação de medidas para melhoria de seus processos e mudanças tecnológicas a fim de atender novas regulações em termos de gases de efeito estuda no médio e longo prazo. Além disso a empresa também engaja seus fornecedores a reportarem informações sobre emissões de gases de efeito estufa e estratégias diante das mudanças climáticas por meio do CDP Supply Chain. Com base nessa informação, a Braskem está aprimorando a sua gestão de riscos climáticos, mapeando vulnerabilidades ao longo da cadeia de valor e traçando planos de ação para aumentar a resiliência dos seus negócios.

CPFL

O risco físico de estresse hídrico tem grande sensibilidade para o seu negócio, portanto, em projetos de novas hidrelétricas, a companhia avalia o potencial hidrelétrico, a demanda atual e futura na bacia hidrográfica, as séries hidrológicas históricas bem como cenários alternativos futuros dos próximos 10 anos. Além da disponibilidade da água se avalia também o preço e o consumo de energia. Essas análises dão maior segurança para a tomada de decisão. Em 2014, o consumo de água nas dependências da CPFL foi reduzido em 14%, e o consumo de energia em 4%, devido ao Programa Consumo Inteligente.

Grupo Libra

A partir de 2014, a convite da Braskem que é seu cliente e membro do Programa Supply Chain, o Grupo passou a reportar suas emissões e estratégias frente às mudanças climáticas por meio do CDP. A empresa identifica e busca mitigar os riscos regulatórios e associados a futuras obrigações em relação a taxas de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) ou restrições de emissão, bem como avalia regularmente potenciais oportunidades custo-efetivas de reduções de emissão. Metas de redução de emissões anuais até 2017 já foram definidas para todas as unidades operacionais do Grupo. As metas variam em torno de 50% na Libra Terminais Santos e 40% na Libra Terminais Rio.

Esses casos evidenciam uma mudança na narrativa dos negócios sobre o clima de uma visão de custos para o de oportunidades de negócios e vantagem competitiva.

*Juliana Lopes é diretora do CDP para a América Latina. O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que provê um sistema global único para que as empresas e cidades meçam, divulguem, gerenciem e compartilhem informações vitais sobre o meio ambiente.

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